Depois de recuperar sua antiga identidade e o slogan The Future is Now, SNK era esperado para 2015 uma forte campanha de marketing para lançar The King of Fighters XIV no PlayStation 4, em agosto de 2016, cinco anos após a saída do King of Fighters XIII nos consoles e quatro no PC via Steam.

Infelizmente, desde o lançamento dos consoles ‘next-gen’, os custos de desenvolvimento já não são os mesmos, e para uma empresa que já não têm tantos recursos como antes e cujos títulos estão caracterizados por seus trabalhosos e detalhados sprites, É esperado que em algum momento os lutadores de The king of fighters fizessem sua mudança para modelos 3D, enquanto que, claro, mantendo a perspectiva 2D clássica.

Muitos fãs ficaram desapontados por essa mudança levando em conta dois pontos fundamentais. KOF XIII com seus sensacionais sprites, tinha sido um grande avanço sobre KOF XII em termos de jogabilidade, e um grande jogo de luta por si mesmo. KOF XIV por outro lado, não só não apresenta os icónicos gráficos pixelados da série, mas também é caracterizado por um modelo visual muito mais animado e colorido, juntamente com um tema focado em modelos anime, em contraste com as tonalidades escuras dos cenários e rostos com características ocidentais de jogos anteriores. Alguns até catalogam alguns personagens de KOF XIV como estrelas pop asiáticas, e mais, a acentuação dos atributos (ou simplesmente, os peitos) em certas personagens femininas, também favoreceu a manter o prestígio da série, já que inevitavelmente eles tendem a distrair mais do que deveriam. Tudo isso, claro, é relativo ao gosto de cada um.

Além disso, o nível de detalhe dos personagens ou cenários, ou apenas os gráficos em geral também eram motivo de desprezo ou piada para os fãs do gênero, quando comparado com os modelos meticulosos e impactantes de Street Fighter V, Guilty Gear Xrd ou Tekken 7. SNK melhorou os visuais de KOF XIV com a atualização 1.1 no PlayStation 4, toda essa indiferença e negligência resultam sem embargo, até mesmo um tanto irônica, já que o jogador convencional de jogos de lutas não costuma se preocupar muito com os gráficos, muito menos jogadores desta saga que ainda jogam KOF 98 e 2002 em Fightcade e outras plataformas ou emuladores.

Mas para além desta tendenciosa aversão enquanto ao seu visual, The King of figters XIV, também é afetado pelo desejo de SNK em cobrir um público mais amplo, o que inevitavelmente implica um público mais casual. E é por isso que muitas queixas surgiram sobre a sua jogabilidade acessível, introduzindo o sistema do ‘Rush’ de combo automático para novos jogadores (que em determinadas situações, talvez, termine sendo confortável para jogadores hardcore), além de movimentos normais ou especiais cortados em personagens emblemáticos e combos com Super Cancel que podem custar a metade da barra de vida. Além disso, dado que Yasuyuki Oda (encarregado do sistema de combate de Street Fighter IV e Garou: Mark of the Wolves), foi o diretor do KOF XIV, alguns aspectos da jogabilidade ou ritmo do mesmo, sem dúvidas, são evidentes entre novo SNK e estes acima.

Além de tudo que teve e que tem que suportar KOF XIV, incluindo o baixo número de jogadores na Playstation 4 e agora no Steam, é necessário destacar seus pontos positivos. Para começar e, ao contrário de outros jogos de luta contemporâneos como Street Fighter V (que lançou apenas 16 lutadores), o elenco de KOF XIV tem 50 personagens (18 deles novos para a série) para versão padrão e quatro (Rock Howard, Whip, Yamazaki e Vanessa) ao comprar a versão deluxe, ou o pack de atualização. O rumor de que mais onze personagens serão adicionados à lista (incluindo Oswald, Blue Mary e Shingo) certamente poderia captar o interesse dos jogadores da velha escola que preferem uma lista mais tradicional.

Talvez o maior problema desse décimo quarto jogo, é que SNK preferiu jogar pelo seguro e não arriscar muito na mecânica, e que às vezes pode dar certo como dar errado. Tudo depende do público de um jogo, e neste caso estamos a falar de um bastante exigente, e até mesmo desconfiados. Claramente SNK tentou misturar os melhores aspectos de KOF ’98 e KOF 2003 e, embora o resultado seja agradável na jogabilidade para o jogador casual ou recém-chegados à franquia, para aquele que joga profissionalmente vai se incomodar com alguns problemas que só estes tipos de jogadores podem observar e experimentar. Há pequenos problemas de Trading, Frame Trap o Recovery em alguns casos, ou entre determinados personagens, mas nada muito sério para impedir contendas justas.

Quanto à suas mecânicas propriamente ditas, KOF XIV nos permite explorar uma das barras de poder para habilitar o modo Max e realizar um limitado número de movimentos especiais EX (geralmente não mais do que dois) com ambos os socos e chutes correspondentes a cada movimento. Além disso, isto habilitará a possibilidade de realizar uma versão Max melhorada dos Super Special Moves (anteriormente chamado de Desperation Moves) que causam mais danos e tem animações mais chamativas que os Super Especial Moves normais. Estes últimos podem ser complementados ou cancelados com o outro Super Especial Move do lutador (chamado Advanced Cancel), ou com o novo Climax Super Special Move (Climax Cancel) que consome três barras, e executa uma animação em 3D muito mais elaborado do que os Max Super Special Moves, semelhante a Street Fighter V ou Guilty Gear XRD.

Assim tanto para um jogador novo como para um experiente, executar um combo composto de golpes normais seguidos por um especial, e, em seguida, você pode cancelar em um Super Special Move, seguido por outro Super Special Move ou um Climax Super Special Move, eles certamente podem alterar a resultado de um round ou a luta inteira como um Ultra de SF IV ou SFV. A fluidez dos movimentos e o amplo buffer que temos para fazer estas combinações, com certeza fará com que qualquer jogador se sinta confortável e possam executá-los sem muito esforço. É por isso que SNK possivelmente desenhou KOF XIV para que qualquer tipo de jogador sinta-se em igualdade de condições, sem recorrer a tutoriais ou combos complexos para desfrutar o jogo, ou de seu grande elenco de personagens.

Outras alterações ou adições incluem o Blow Back (Chute forte+Punho forte) que agora estampa o adversário em um canto (deixando-o vulnerável a ataques futuros) e o Just Defend, que funciona de forma semelhante ao Garou, só que apenas enche ligeiramente a barra de poder, não a vida. Este movimento introduzido a modo de parry é uma aposta muito arriscada, porque tem que ter muitos reflexos para fazê-lo, e a punição pode exceder o benefício na maioria dos casos.

Além do modo arcade (ou história), KOF XIV apresenta todas as modalidades convencionais que um jogo de luta deve ter. Por um lado, temos modo Versus, Training e as Missões (dividido em Trials, Time Attack e Survival), enquanto a parte on-line tem o modo Versus, Online Training e Party Battle, que permite seis jogadores enfrentar-se em um jogo 3vs3, podendo cada um escolher qualquer personagem, inclusive repetidos.

Como acontece em muitos KOFs, o modo arcade apresenta diferentes cinematics e cenas finais, dependendo da equipe que escolhemos, além de contar com as clássicas rivalidades entre determinados personagens no início de cada round. Antes de chegar ao semi-chefe e chefe, teremos que batalhar contra oito equipes.

Finalmente, à medida que jogamos em modo historia ou o modo Versus (online ou offline), iremos desbloqueando arte conceitual e outras imagens, podendo ter um total de 22 páginas. O netcode por outro lado, funciona muito bem, contanto que estejam dentro do mesmo país (ou países vizinhos), como acontece com a maioria dos jogos de luta recentes.

A trilha sonora de KOF XIV ainda é tão boa como as das versões anteriores. Vamos continuar a encontrar o saxofone na equipe Iori, a clássica track heróica e justiceira da equipe de Kim, ou o ritmo de música caminhoneira de Texas que caracteriza a equipe de Terry. Além disso, vamos ouvir outras melodias ou temas especiais nos Rival Battles entre dois personagens, como por exemplo, Kyo vs Iori, onde é usado o remix de seu OST de KOF XI.

Sobre os sons, a qualidade geral continua a manter o seu bom padrão. Nos ataques Blow Back (ou CD) se sente esse golpe impactante, e equipes como Art of Fighting e Fatal Fury, mantém os sons emblemáticos quando atacam com os seus “Shoryuken”. Algumas vozes são um pouco mais suaves ou inocentes, mas geralmente tudo vai de mãos dadas com a personalidade do personagem, que em alguns casos, piorou ou melhorou, dependendo da afinidade do jogador com cada um dos lutadores.

Agora falando sobre o port de Steam, SNK tem feito um grande trabalho em todos os aspectos possíveis. Como já deixou em evidencia Digital Foundry, KOF XIV no PC mostra um melhoria visual nos cenários e especialmente nos personagens, em comparação com a versão do Playstation 4 “Pro”. Graças a seu nível de anti-aliasing superior e outros efeitos adicionais, sem dúvida, a versão de Steam brinda um visual muito mais limpo e agradável do que a sua congénere da Sony.

Também é bom informar que as teclas podem ser configuradas de forma muito fácil, como deveria ser. Capcom, por outro lado, não soube ou não teve vontade de implementar uma maneira simples de configurar o teclado em Street Fighter V, tendo que recorrer a ferramentas como AutoHotKey para jogar com o teclado se assim o desejar.

Além disso, os controles com teclado em KOF XIV respondem perfeitamente, permitindo fazer DMs ou Climax de dois semicírculos (seja para frente ou para trás), sem qualquer problema. Se somos suficientemente rápidos, podemos atacar com um chute forte de Clark e cortar com um Ultra Argentine Backbreaker levando ao oponente nosso orgulhoso e presunçoso sorriso se estamos jogando localmente.

Simplificando, The King of figters XIV é uma nova entrada para a série com um número impressionante de personagens que, apesar de não contar os sprites emblemáticos da série, mantém a jogabilidade clássica quase intacta, e convida novos jogadores a apreciá-lo sem muita complexidade envolvida.

Esta avaliação foi conduzida com uma cópia de imprensa fornecida pela SNK. Podem ver a nossa galeria de imagens em 4K (que contém imagens de todos os lutadores) neste link.

[PT] The King of Fighters XIV Steam Edition - Review
Gameplay85%
Gráficos75%
Música e Sons85%
Multiplayer85%
O bom:
  • Numeroso e variado elenco de personagens, muitos deles novos.
  • A essência do jogo não mudou muito.
  • Grande optimização e excelente netcode.
O ruim:
  • A estética geral carece da seriedade dos capítulos anteriores.
  • Problemas leves de equilíbrio entre determinados personagens.
  • Faz falta um cross-play entre PC e PS4 para aumentar a base de jogadores
83%Nota Final
Puntuación de los lectores: (2 Votes)
93%

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