Durante os últimos anos, é inegável que a Ubisoft tenta atingir o público por outros lados. Após os nefastos downgrades, de jogos com as piores otimizações e controle de qualidade do mercado, e tratar nossa plataforma como se fosse um pavilhão de presos de uma ilha pirata, Ubisoft apostou em novas propriedades intelectuais e desenvolvimento muito mais responsável para PC.

For Honor chega na segunda onda dessas grandes apostas, junto com Watch Dogs 2, o glorioso Rainbow Six Siege e o enorme e incansável The Division, com essa proposição original e arriscada, os resultados estão em alta.

Dirigido pelo excêntrico Jason Vandenberghe, que também foi responsável por Far Cry 3 e Ghost Recon Future Soldier, For Honor é um tributo à sua paixão por artes marciais e armas de combate. Em suas palavras, a ideia veio de suas aulas de combate com espada longa na Alemanha, onde viu que havia um vazio no mundo dos videogames, e este título vem preenchê-lo.

E o preenche porque não se parece com qualquer outro. Enquanto a intenção principal é falar sobre como Chivalry: Medieval Warfare está nessa área, a realidade é que For Honor é outro tipo de animal. Um mais brutal, cruel, e ao mesmo tempo estratégico. For Honor é um lobo gigante nórdico; Chivalry é uma marmota.

A campanha é talvez o mais irrelevante do pacote. Colocam-nos no corpo e no espírito das três facções em vários estágios da trama para enfrentar e acabar com a implacável Apollyon, a líder da Legião Blackstone, convencido de que o lugar natural da humanidade é a guerra, e coloca-se em campanha para enfrentar cada facção, primeiro internamente e, em seguida, globalmente, separando-os em duas grandes filosofias dentro de cada legião.

A história se passa em um manto de confusão e sobrevivência. Os protagonistas, como se tratasse de uma declaração do próprio autor da trama, não conseguem entender por que eles devem lutar contra os seus ou contra estranhos, só sabem que cada um toma sua posição neste mundo e devem colocar a vida para soluciona-lo, com tempos brutos, emocionais e desafiadoras. E não, não há nenhuma explicação sobre a proximidade dessas culturas até agora, tanto para espaço físico como temporal. É apenas ficção e funciona.

Estruturalmente, toda esta situação serve como um ótimo tutorial. Ele nos leva através das várias facções e classes, nos ensina a usar cada um dos ataques, mostra os modos de jogo, e nos dá um primeiro olhar para as diferentes estratégias. Também é aconselhável terminá-la para marcar pontos para desbloqueios no multiplayer.

Quanto ao gameplay, For Honor opera em dois planos diferentes, porém paralelos. Em meio aos modos por equipe, por um lado, estamos diante de bots que servem como piões em lutas territoriais para conquistar um ponto central, onde podemos atacá-los livremente como qualquer hack’n slash. Nestes momentos a câmera se afasta e revoltamos madeira e aço contra tudo o que tenha a cor de nossos adversários.

O outro lado do jogo é o mais íntimo, e definitivamente o mais interessante, onde realmente importa as habilidades de cada um dos doze guerreiros e nossa experiência para controlá-los.Quando confrontado com outro jogador ou a qualquer um dos habilidosos bots que ocupam o lugar quando falta gente, nos bloqueamos em um confronto frente a frente onde importa tanto a forma, como o tempo e precisão como se fosse um Street Fighter. Além disso, como herança clara de uma experiência que saiu bem com Rainbow Six Siege, cada um dos doze guerreiros é único.

Isso também adiciona um condimento estilo “pedra, papel e tesoura”, que nos obriga a pensar sobre que tipo de vantagens ou desvantagens temos contra cada tipo de inimigo, considerando as quatro classes diferentes de cada facção (vanguard, heavy, assassin e hybrid) e o nível de dificuldade de cada um. Como em Rainbow Six Siege, onde cada agente se destaca em coisas diferentes, cada guerreiro em For Honor apresenta um conjunto de habilidades e características específicas, que não podem caber a todos os jogadores da mesma forma, mas tampouco desempenham um papel específico no campo de batalha, ao contrário do aclamado shooter tático. É mais uma questão de estilo de jogo do que funcionalidade. Além disso, visto como resultou a jogada no título multiplayer anterior, também podem ser personalizados tanto esteticamente como funcionalmente, para que cada um nos represente como gostamos, e, claro, tudo funciona sob um profundo sistema de micro transações que oferece o que gostamos em troca alguns dólares.

O aprofundado sistema de combate faz de For Honor um título complexo, que não é fácil de recomendar para os jogadores que se frustram rapidamente. Especialmente depois de algumas semanas de seu lançamento, e nessas batalhas importa muito a prática, e, certamente, os recém-chegados o passem muito mal contra os mais treinados. É questão de paciência e reconhecer o mencionado espírito Street Fighter, que nos obriga a conhecer todos os movimentos de cada um dos personagens que nos interessa incorporar para não entrar desprevenido em um mundo impiedoso, que lembra uma filosofia de desenvolvimento que parece abandonado em favor de jogos simplificados para ser mais acessível.

Onde possivelmente tem baixa quantidade de modos de jogo, e os mapas, embora seja bem provável que vão evoluir da mesma forma que seguem fazendo em Rainbow Six. O multiplayer suporta até 4v4 nos modos Dominion, Brawl e Deathmatch, com a capacidade de configurá-los com ambos os jogadores humanos ou com inteligência artificial. Dominion é o clássico “domination” que conhecemos da maioria dos jogos competitivos, onde temos que capturar os pontos do mapa para chegar a uma determinada pontuação e vencer. Nesta variante, o ponto central no mapa torna-se um scrum gigante onde temos que ajudar nossos soldados a empurrar o exército inimigo para fora da área, enquanto os dois pontos extremos  domina-se desempenhado pela presença na área. Brawl tem variantes 1v1 (Duel) e 2v2, e sempre começa em confrontos de pares.

Quando você acabar com o seu adversário assignado, tem a possibilidade de ir ajudar um parceiro, mas não é algo muito honrado. E finalmente o Deathmatch, que é o modo mais básico e obrigatório, onde nas batalhas 4v4 devemos eliminar a equipe adversária como um todo ou em sua própria variante, eliminá-los uma de outra vez até alcançar uma determinada quantidade de pontos.

O catálogo de possibilidades parece volumoso, e a possibilidade de participar em uma luta territorial global, ao estilo de facções de Mortal Kombat X, certamente acrescenta um tempero ainda mais interessante, mas deixa um gosto amargo de que poderiam ter feito mais com a estrutura do jogo que foram capazes de criar. Os tradicionais “capture the flag” ou “rush” não teriam sido fora de lugar, e sem dúvida teriam levantado ainda mais o espírito competitivo.

Como um sinal de aviso para os puristas de multiplayer, cabe destacar que for Honor usa um sistema de conexões peer-to-peer bem particular, já que não se baseia as transferências em um único jogador, mas uma espécie de feedback entre todas as conexões participantes do mapa, onde se recebe informações de todos e envia os seus próprios dados aos demais, por isso, quando um jogador cai, não é que esta mudando o host, e sim que está a redistribuir. É um sistema inovador que, que nas dezenas de horas que estávamos a experimentá-lo, não produziu nenhum problema significativo de desempenho, porém alguns de estabilidade, perdendo a conexão em algum passe de mão ou falha dos servidores centrais da empresa.

Todo este conjunto de boas ideias e grande desenvolvimento é executado na versão mais avançada do renomado motor AnvilNext, o de Assassins Creed, e enquanto ela não chega a fidelidade gráfica do Assassin’s Creed Unity, eles conseguiram inteligentemente sacrificar detalhes em troca de desempenho, como é usual em todos os títulos que visa o multiplayer. O jogo é executado em 1080p, todo em ultra com uma GTX1050Ti, com algum drop aqui e ali, o que promete uma performance impecável com placas de escalão mais alto.

Estes sacrifícios gráficos não significam que vamos ter um nível visual com o mínimo indispensável, uma vez que sabe como apresentar reflexos na tela, oclusão de ambiente, as mais modernas técnicas de anti-aliasing, texturas de alta resolução, e padrões de personagens realmente invejáveis, que se destacam ainda mais pela sua enorme variabilidade, graças a objetos cosméticos. Talvez o mais condenável seja a repetição de “minions” que entram ao campo de batalha para defender o ponto central, mas entende-se que são utilizados em instâncias do mesmo modelo para aliviar a carga sem grandes sacrifícios.

Cada personagem tem o notável sistema de animações processuais que vem crescendo desde o primeiro Assassin’s Creed. Espanta como pisos inclinados, tanto naturais como escadas, os personagens não só mantem a postura acomodando as pernas, e dirigem ataques diretos sobre onde nós estamos apontando, sem terminar em alguma deformação desconfortável, que destrua o clima que busca gerar.

Quanto à música e sons, também se encontram a altura das circunstâncias, mostrando que a Ubisoft é bem focada em tirar o máximo das tecnologias modernas, agora á sério, evitando papelões de glitches e otimização que praticamente acabarão com seu próprio conjunto de assassinos. As músicas estão em linha com o que se espera deste tipo de ambientes, com temas diferentes com base em diferentes características, mas destacam-se ainda mais nos efeitos de som no campo batalha, que conseguem uma espessa atmosfera de guerra sem a necessidade de repetir melodias para adicionar drama.

For Honor é mais do que apenas uma tela para do que está por vir, apresenta um futuro promissor que, aparentemente, usará temporadas de conteúdo livre (embora nos faça trabalhar para consegui-lo), como fizeram com Rainbow Six. Neste se nota que usaram toda a experiência adquirida no jogo da marca Tom Clancy para começar com uma vantagem maior, e eles conseguiram de uma forma excepcional. Agora é só esperar que o público responda e que a Ubisoft devolva a cortesia para que dentro de um ou dois anos, possamos seguir desfrutando de um produto em constante evolução.

Este análise foi realizado com uma cópia impressa fornecida pela Ubisoft.

[PT] For Honor - Review
Historia75%
Gameplay90%
Gráficos90%
Música e Sons80%
Multiplayer90%
O bom:
  • Multiplayer moderno e inovador
  • Grande desenvolvimento técnico
  • Excelente ambientação
O ruim:
  • Muito frustrante para os recém-chegados
  • A campanha é fraca
  • Faltam modos de jogo
88%Nota Final
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